Não queria sair daquele quarto mágico, onde acabamos de viver aventuras, meu celular está tocando e o gato está louco para entrar e ver o que estamos fazendo. Tive que levantar para atender o celular. Era Emi, me chamando para sair, conversar, disse que eu estava distante dela, que ela estava precisando de mim. Eu desliguei, não quero saber dessa garota. Olhei para Esmael, para o gato, para a cama, me deitei dizendo eu te amo e continuando com a loucura que estávamos fazendo alguns minutos antes.
A música, a luz, os arrepios, o desejo, tudo...
Não quero saber dessa garota. Ela quase me fez terminar com Esmael. Ela é tosca. Irritante. Mimada.
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecilia Meireles
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